Carnaval 2026: blocos ocupam o DF com diversidade e inclusão

Carnaval 2026: blocos ocupam o DF com diversidade e inclusão

Com apoio do DF Folia, cortejos como o Bloco do Amor e Bloco Saly transformam as ruas em espaços de afeto e reconhecimento

Por Igor Tx
Fotos: Divulgação

No sábado, 7 de fevereiro, se iniciou a temporada de Carnaval promovida pelo DF Folia, iniciativa da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (SECEC-DF), que vai até o domingo, 1 de março. Com uma programação intensa, diversos blocos movimentam a capital e geram renda para todas as regiões administrativas e entorno.

Para esta edição, a Revista Traços conversou com dois blocos, o veterano Bloco do Amor, e o recém chegado, Bloco Saly, a fim de retratar como a pluralidade e representatividade moldam a identidade cultural de ambas as festas.

Bloco do Amor

O Bloco do Amor vem há longevos 11 anos mostrando que o afeto é direito de qualquer pessoa. Neste ano, a festa que dá voz a corpos e bandeiras historicamente invisibilizados  acontece no sábado (14/02), das 13h às 21h, na Plataforma Monumental, ao lado do Museu Nacional da República.

Majoritariamente ocupado por mulheres, pessoas negras e pela comunidade LGBTQIAPN+, o bloco reforça que “representatividade não é apenas uma escolha estética”, e que começa ainda na construção da equipe que dá vida à festa.

Hoje somos cinco artistas com múltiplas mulheridades, em sua maioria mulheres trans e mulheres pretas. Essa vivência atravessa tudo o que fazemos: o repertório, a forma de ocupar o palco, a relação com o público e a maneira como construímos o Carnaval”, disseram Letícia Helena (Produtora Geral) e Ava Scherdien (Coordenadora Geral).

No segundo ano de concentração, a produtora Letícia Helena apresentou a campanha Folia com Respeito, o que fez do Bloco um dos pioneiros no combate ao assédio, ao racismo, à LGBTfobia, ao machismo e outras formas de violência. Como resultado da proposta de conscientização, a equipe afirma enxergar um avanço do público em relação à forma de se celebrar o carnaval.

“Há mais consciência sobre consentimento, mais disposição para intervir quando algo acontece e mais abertura para o diálogo”, contaram em entrevista. “Hoje, frases como ‘não é não’ deixaram de ser apenas slogans e passaram a fazer parte do vocabulário do Carnaval. O público se sente mais responsável pelo cuidado coletivo, e isso é resultado de um trabalho contínuo de educação, comunicação e presença”. Letícia Helena

Bloco Saly

O Bloco Saly já colocava o povo para pular nas noites da capital, mas agora, em seu 3o ano, estreia pelo DF Folia. Antigamente chamada Sal Y Perrea, a festa nasceu com o intuito de provocar os foliões a se identificarem também como o povo latino-americano, por meio de uma viagem pelas culturas brasileira, latina e africana.

Como um bloquinho de rua, a Saly continua a sua missão de proporcionar esse mix cultural, com sonoridades que vão desde o pagodão até reggaeton e afrobeats. O bloquinho está agendado para a terça-feira (17/02), a partir das 16h na Praça Marielle Franco, no Setor Comercial Sul. 

“Vimos no carnaval a oportunidade perfeita de expandir o que criamos. Nosso plano é trazer a diáspora para o Plano Piloto e não tem temporada melhor que o carnaval para isso”, afirmaram Marcella Martins (Diretora Geral), Felipe Alemar (Diretor Geral) e Ane Neves (Produtora), membros da equipe Saly que conversaram com a Traços.

Esse movimento se refletiu também em outras edições da Saly, como na edição realizada em Ceilândia, que reafirmou a cidade como um pólo da cultura preta e periférica no DF. Agora, com o bloco no centro da capital, a ideia é mostrar que o mesmo público também tem direito ao acesso às regiões e culturas disseminadas na cidade.

“Também queremos ser motor de transformação no Plano Piloto. É muito importante que todas as pessoas consigam ter contato com uma festa feita ‘de preto para preto’ e essas festas devem ocupar qualquer espaço na cidade”. Felipe Alemar 

É a primeira vez que o Bloco Saly é contemplado no edital.  "Conseguimos contratar mais pessoas capacitadas e como a gente para fazer o nosso rolê. Sempre fizemos um trabalho muito coletivo para viabilizar a Saly, então além de dinheiro é realmente sobre levar reconhecimento”, concluiu Marcella Martins durante a conversa.

Campanha Folia com Respeito

Em 2026, a campanha criada por Letícia Helena alcançou um novo patamar, sendo agora um requisito do Carnaval de Brasília. Em mobilização junto aos blocos, bandas carnavalescas, grupos artísticos, fanfarras e plataformas de Carnaval do Distrito Federal, foi assinada uma Carta Compromisso que busca garantir um carnaval seguro para todos.

Nos dias 3 e 10 de fevereiro integrantes de todos os blocos se reuniram para participar de treinamentos voltados para a abordagem inclusiva, orientações de mediação contra a violência, e a promoção do respeito e diversidade. As formativas aconteceram na Escola Superior de Advocacia da OAB/DF que a 5 anos alimenta uma parceria com a campanha.

Fora os treinamentos, os adeptos a Folia com Respeito receberam materiais como cartazes, adesivos, artes, fotos e vídeos que serão utilizados nas redes sociais e espaços físicos, perpetuando a campanha também para o público.

DF Folia 2026

Em mais um ano de incentivo à cultura do Distrito Federal, o DF Folia 2026 é o responsável por alavancar os blocos citados neste material e outros 71 eventos que acontecem na capital. Com o investimento de R$ 10 milhões do Governo do Distrito Federal (GDF), é esperado que a temporada gere um retorno de R$ 30 milhões e um impacto na economia local superior ao ano passado, de R$ 320 milhões.

A agenda oficial está disponível no site da SECEC que pode ser acessada pelo link (clique aqui).