[RJ] Quando a cultura sai do eixo

[RJ] Quando a cultura sai do eixo

Durante muito tempo, falar em programação cultural no Rio de Janeiro significava olhar quase automaticamente para os mesmos endereços: Lapa, Centro, Zona Sul e Barra. Mas basta atravessar uma ponte ou seguir em direção à Baixada Fluminense para perceber que a produção artística não cabe em um único mapa. Em diferentes territórios, festivais, exposições, apresentações e projetos comunitários ajudam a construir outras rotas para quem faz e consome cultura.

Por: Angélica Cabral
Foto: Julian Mora

Em Niterói, essa movimentação ganha uma dimensão especial com a terceira edição do “FELINI – Festival Lírico de Niterói”. Criado em 2024 por três cantoras líricas: Amanda Ayres, Maria Gerk e Tina França, o circuito nasceu com a proposta de aproximar a ópera e o canto lírico de públicos mais amplos. Em 2026, chega à maior edição de sua história: são mais de 20 dias de atividades, quatro títulos de ópera, mais de 500 artistas e profissionais envolvidos e programação distribuída por mais de dez espaços culturais, alcançando as cinco regiões da cidade.

O roteiro inclui concertos, recitais, espetáculos e ações que aproximam a música de diferentes públicos. No dia 12 de agosto, por exemplo, o festival promove um recital na abertura da sessão do filme “Ópera! – Canção Para Um Eclipse”, no Reserva Cultural. A proposta do FELINI é justamente romper a ideia de que o erudito pertence a um universo restrito e transformá-lo em experiência acessível e próximo do cotidiano niteroiense.

Mais distante dos palcos tradicionais, Xerém, em Duque de Caxias, também ganha protagonismo com a sexta edição do Festival Forró do Cantinho. O encontro está marcado para esta sexta-feira, 14 de agosto, no Sítio Renascer, e coloca o forró no centro da agenda cultural da região.

Já em Nova Iguaçu, a descentralização pode ser percebida não apenas em grandes eventos, mas na existência de uma estrutura cultural própria. O Complexo Cultural Mário Marques reúne equipamentos como o Teatro Sylvio Monteiro, o Quintal das Artes, a Biblioteca Cial Brito e a Casa de Cultura Ney Alberto, funcionando como um dos principais polos de difusão artística do município. Isso sem falar nos mais de 80 Pontos de Cultura, iniciativas de base comunitária que atuam em diferentes territórios com ações voltadas à arte, à memória e às tradições populares.

É nesse cenário que a exposição “Matriz, Corpo, Portal” ocupa a Galeria Mauro Azeredo, no segundo andar do Complexo Cultural Mário Marques. Em cartaz até 24 de agosto, a mostra reúne trabalhos que atravessam temas como ancestralidade, memória, identidade e pertencimento.

Mais do que multiplicar endereços, esse movimento revela uma mudança importante na maneira de pensar a cultura. Quando um festival lírico ocupa diferentes regiões de Niterói, um encontro de forró movimenta Xerém ou uma rede de Pontos de Cultura fortalece iniciativas comunitárias em Nova Iguaçu, o público deixa de ser apenas espectador de uma programação concentrada em determinados bairros. Ele passa a encontrar arte também perto de casa.

A descentralização, nesse sentido, não significa apenas levar atrações para outros lugares. Significa reconhecer que cada território já possui suas próprias histórias, artistas, tradições e públicos. E que, muitas vezes, é justamente quando a cultura atravessa as fronteiras do circuito mais conhecido que novas vozes conseguem ganhar espaço.

Vamos prestigiar?!

Serviço

FELINI - Festival Lírico de Niterói

Programação em diferentes espaços de Niterói.

Destaque: recital na abertura da sessão de Ópera! - Canção Para Um Eclipse, no dia 12 de agosto, no Reserva Cultural.

Quando: Até 30 de agosto de 2026

Confira a programação completa no site oficial do festival: festliriconiteroi.com.br


6º Festival Forró do Cantinho

Quando: 14, 15 e 16 de agosto de 2026, a partir das 17h

Onde: Sítio Renascer - Rua do Aviário, Xerém, Duque de Caxias

Quanto: informações e ingressos no site da Sympla.


Matriz, Corpo, Portal
A exposição da artista visual Carol Nascimento 

Quando: Até 24 de agosto de 2026
Onde: Galeria Mauro Azeredo (2º andar do Complexo Cultural Mário Marques)

Rua Getúlio Vargas, 51, Centro, Nova Iguaçu
Quanto: entrada gratuita