[RJ] Escritora dá voz a estátuas e monumentos do Rio

[RJ] Escritora dá voz a estátuas e monumentos do Rio

Uma estátua desaparece do Passeio Público. Depois de algum tempo, reaparece em outro ponto do Rio. Mais tarde, retorna ao lugar de origem. O episódio poderia ser apenas uma curiosidade envolvendo o patrimônio carioca, né? Mas, para a escritora e roteirista Angela Chaves, foi o começo de uma viagem pela fantasia

Por: Angélica Cabral
Foto da autora: Pérola Rodrigues 
Fotos e artes do livro: Jeferson Barbosa e Sérgio Cabral Peres

E a protagonista desse acontecimento é a escultura Inverno, feita de ferro e estanho e instalada no tradicional parque do Centro. Encantada pela trajetória da peça, Angela começou a pensar o que poderia existir por trás daquela figura aparentemente imóvel e escreveu sobre isso. “Esse livro começou com o encanto pela estátua Inverno e sua história real, quando esteve desaparecida do Passeio Público e apareceu em outro lugar. Depois voltou ao Passeio Público. Isso motivou minha imaginação”.

Daí nasceu Histórias de ferro e pedra, primeira coletânea de contos da autora, publicada pela Editora Mondru. A obra reúne sete narrativas ambientadas em locais conhecidos dos cariocas, mas apresentados por uma perspectiva pouco habitual: estátuas, fontes, praças e esculturas deixam de ser meros elementos da paisagem e passam a observar, desejar, lembrar e interferir na vida ao redor.

A proposta parte de uma pergunta simples e, ao mesmo tempo, poderosa: e se aquilo que permanece parado há décadas pudesse observar tudo o que acontece à sua volta? No Jardim Botânico, a deusa Tétis acompanha os amores humanos. No Largo dos Leões, esculturas disputam protagonismo. Outros personagens surgem em espaços como Vila Isabel, o Cemitério São João Batista e a Tijuca. Cada conto cria um universo fantástico a partir de referências que existem concretamente na paisagem carioca.

O resultado aproxima literatura, memória e patrimônio sem transformar a narrativa em uma aula de História. Ao contrário: a fantasia funciona como uma espécie de lente para aquilo que normalmente passa despercebido. A própria descrição da obra propõe que o leitor observe novamente figuras diante das quais talvez tenha passado inúmeras vezes sem reparar.

Essa maneira de olhar também dialoga com a trajetória de Angela Chaves, que nasceu aqui no Rio e é Mestra em Literatura Brasileira. Ela construiu uma carreira extensa como roteirista e colaboradora em trabalhos para a televisão e o streaming. Entre seus créditos estão Maysa – Quando Fala o Coração, Os Dias Eram Assim e Éramos Seis. Mais recentemente, criou e escreveu Pedaço de Mim, série da Netflix.

Agora, voltando ao livro, a edição traz um QR Code que conduz a um mapa interativo no Google Maps, criando uma espécie de percurso literário pelos espaços retratados. É como se a leitura não terminasse na última página e continuasse pelas ruas. Esse é o grande barato!! Em uma grande cidade acostumada à pressa, aos deslocamentos e à paisagem que muda constantemente, olhar para uma figura de ferro ou pedra exige justamente o contrário: parar. Parar para observar. Imaginar. Perguntar quem passou por ali antes de nós e quantas histórias aquele lugar poderia contar se tivesse voz.

Ficou interessado na ideia? Então, anota aí: no dia 8 de outubro, Angela Chaves faz o lançamento de Histórias de ferro e pedra na Janela Livraria, no Jardim Botânico, em conversa com a jornalista e escritora Luize Valente. O encontro acontece às 19h e terá entrada gratuita. Vale conferir!! Até lá, entre no Instagram e siga os perfis @angelachaves66 e @mondrueditora