Depois de dez anos longe do Rio de Janeiro, a Feira Preta retorna à cidade ocupando um dos territórios mais simbólicos da cultura afro-brasileira: a Pequena África. Entre os dias 29 e 31 de maio, a região portuária será atravessada por shows, rodas de samba, gastronomia, empreendedorismo negro e encontros culturais que prometem movimentar o Centro da cidade
Por Angélica Cabral
Fotos: Agência Atlântica
Prepare-se, porque a edição 2026 da Feira promete. Com o tema “Viva Pequena África”, o evento reconecta o festival a um território diretamente ligado à formação da identidade cultural carioca. Durante três dias, espaços como o Píer Mauá, o Armazém Kobra, a Pedra do Sal e outros pontos da região portuária serão ocupados por música, debates, cultura de rua e circulação de artistas e empreendedores negros.
Criada há 24 anos por Adriana Barbosa, a Feira Preta se consolidou como um dos maiores movimentos de cultura e empreendedorismo negro da América Latina. Fundadora do Instituto Feira Preta, Adriana construiu um ecossistema voltado à ampliação de oportunidades para a população negra, estimulando redes de apoio, formação profissional, circulação cultural e fortalecimento de negócios liderados por pessoas negras.
O projeto ultrapassou o conceito tradicional de feira e se tornou uma plataforma de fortalecimento da chamada economia preta, atuando em diferentes frentes, incluindo educação empreendedora, pesquisas sob perspectivas racializadas, impulsionamento financeiro de iniciativas negras e desenvolvimento de projetos artístico-culturais.
Parte desse trabalho deságua justamente no festival, que reúne artistas, empreendedores, pesquisadores e público em torno da cultura negra contemporânea. A expectativa da organização é movimentar cerca de R$ 6 milhões durante os três dias de evento, fortalecendo a circulação econômica na região portuária e ampliando o debate sobre cultura, empreendedorismo e ocupação urbana.
E o cenário escolhido para esse retorno não poderia ser mais simbólico. É na Pequena África que está o Cais do Valongo, reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial por ter sido o principal porto de chegada de africanos escravizados nas Américas. É ali também que o samba construiu parte de sua história através da Pedra do Sal, das rodas musicais e das manifestações culturais que atravessaram gerações.
“A Pequena África não é apenas um lugar de memória e resistência. É também um território de futuro.” Adriana Barbosa, fundadora do festival
Vamos à programação: no line-up musical estão nomes como Leci Brandão, Teresa Cristina, Sandra de Sá, Tati Quebra Barraco e a artista angolana Titica. O festival também recebe atrações ligadas à cultura de rua e à tradição afro-brasileira, como o Baile Black Bom, DJ Nyack, grupos de Afoxé e Filhos de Gandhi. A diversidade da programação reforça uma das principais marcas da feira: conectar diferentes gerações da cultura negra brasileira em um mesmo espaço.
Além dos shows, o público poderá circular pelo “Mercado da Preta”, espaço voltado para afroempreendedores e marcas independentes, além de acompanhar debates sobre tecnologia, impacto social e economia preta. A expectativa da organização é reunir cerca de 30 mil pessoas durante os três dias de evento.
Quer conferir? A entrada é gratuita, mediante a doação de 1kg de alimento não perecível, mas os ingressos precisam ser retirados antecipadamente pela Sympla. Então melhor garantir logo o seu. Nos vemos lá.

Serviço
Feira Preta Festival 2026
Data: 29, 30 e 31 de maio
Locais: Píer Mauá, Armazém Kobra, Pedra do Sal e espaços da Pequena África
Entrada gratuita mediante doação de 1kg de alimento não perecível
Programação completa: @feirapretaoficial e Feira Preta Festival