Filme “Na Minha Terra, Carnaval é Religião” estreia no Cine Brasília e celebra a força cultural do carnaval

Filme “Na Minha Terra, Carnaval é Religião” estreia no Cine Brasília e celebra a força cultural do carnaval

A première está marcada para a sexta-feira, 6 de fevereiro, junto à abertura da temporada de folia na capital federal

Por Igor Tx

O diretor brasiliense Rodrigo Resende Coutinho retorna de Lisboa com a produção audiovisual “Na Minha Terra, Carnaval é Religião”, que documenta a folia típica brasileira, mas em solo lusitano. A exibição, no Cine Brasília, será antecedida por uma apresentação do Batuque da Orquestra Alada Trovão da Mata, às 19h30, e segue às 20h com a reprodução do filme.

A produção independente traz registros dos blocos Baque do Tejo, Baque Mulher, Palhinha Maluca, Lisbloco e Pandeiro LX, diretamente da capital portuguesa. Gravado nos bastidores, os registros foram feitos entre 2024 e 2025, acompanhando os detalhes do primeiro ano de carnaval reconhecido pela cidade como uma manifestação cultural.

Na visão do diretor, as capitais portuguesa e brasileira carregam a semelhança pela “necessidade de retomar a rua”, como relatou à Traços. As gravações começaram somente em seu segundo ano na cidade, com a intenção de imergir o espectador nos blocos de rua.

“Brasília têm traços planejados, meio rígidos, e o carnaval chega justamente para quebrar isso, para dar vida e calor ao concreto. Já em Lisboa, vi de perto a luta dos brasileiros enfrentando taxas e burocracia só para dizer que aquela rua também é nossa. A grande semelhança é essa: a folia como ato de resistência. Tanto aqui quanto lá, botar o bloco na rua não é só diversão, é bater o pé e reafirmar nossa identidade. É o momento em que a gente para de pedir licença e simplesmente ocupa o espaço que é nosso por direito”. Rodrigo Resende Coutinho, diretor do filme. 

O carnaval, para os brasileiros, é mais do que uma celebração: é parte essencial da identidade cultural do país e se consolida como a maior festa popular do mundo. Em contraste, em Portugal, ganham destaque as Festas dos Santos Populares, realizadas em junho. Ao falar sobre as expectativas do público em relação ao documentário, Coutinho destacou que essa diferença cultural aparece de forma muito clara no filme e que sua intenção é que o público brasiliense compreenda que o carnaval vai muito além da festa, sendo também uma forma de sobrevivência cultural. Segundo ele, a proposta é que as pessoas se vejam refletidas na tela e sintam orgulho da capacidade brasileira de transformar saudade em arte e de ocupar diferentes espaços do mundo com alegria.

Para quem quiser assistir, os ingressos custarão R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada). Além da exibição em Brasília, o filme retorna às telas em Lisboa pela quarta vez, como parte da programação oficial do carnaval da cidade, e também será exibido na Universidade do Porto, no dia 6 de fevereiro.