"O festival surgiu da carência de eventos independentes em Vila Velha que valorizem uma cultura regional local", afirma Ricardo Muzzi, fundador do Muzzi Project, um dos coletivos responsáveis pela realização do Festival Mangue e Sal.
Por Gustavo Domingos
Fotos: Rodolfo Vieira
O festival que chega à segunda edição nesta semana carrega, já no nome, parte da sua identidade. "Mangue e Sal" faz referência ao manguezal, um dos ecossistemas mais característicos do litoral capixaba, reconhecido pela riqueza de sua biodiversidade e por ser fonte de cultura, alimento e sustento para muitas comunidades.
É essa ideia de encontro que inspira a programação do festival, reunindo artistas, coletivos e diferentes manifestações da cena independente capixaba.
O evento começa nesta quinta-feira (25/06) e segue até sábado (27/06), sempre das 18h às 23h, na Casa Cultural 155, localizada na Avenida Jerônimo Monteiro, 155, no Centro de Vila Velha. A entrada é gratuita.
A construção coletiva é apontada pelos organizadores como um dos principais pilares desta segunda edição. Segundo Ricardo Muzzi, fundador do Muzzi Project e um dos realizadores do festival, a experiência da primeira edição reforçou a importância do trabalho conjunto para consolidar o projeto.
"Essa segunda edição vem com mais força, mais conceito e mais união entre os envolvidos no evento, ao entendermos a importância de uma coletividade para concretizar ideias que não seriam possíveis sem a ajuda de um grupo", afirma.
Essa parceria também está na essência do evento. O Muzzi Project, a Casa Cultural 155 e a Última Sala atuam de forma integrada para fortalecer a cena cultural de Vila Velha e democratizar o acesso à cultura.
A proposta também passa por valorizar movimentos populares, conectar artistas de diferentes linguagens e aproximar o público da produção independente.
Ao longo dos três dias, a programação reúne apresentações da dupla Alma Latina, formada por Fábio do Carmo e Belimar Vitória, além dos grupos capixabas Gastação Infinita e Bendizê.
O festival também contará com DJs convidados, bandas, projetos autorais, oficinas, performances e uma feira artística com 11 expositores da Grande Vitória.
A curadoria acompanha a proposta do festival de valorizar produções ligadas ao território e à cena independente. Segundo Rayan Nunes, fundador da Casa Cultural 155 e curador da Última Sala, os artistas convidados desenvolvem pesquisas que dialogam com experiências locais e com a cultura popular.
"Há também um apelo estético que dialoga com o que é popular, mas também com a criação independente, muitas vezes fora dos circuitos institucionais. São trabalhos que transitam entre memória e prática, entre o que é tradição e o que segue se reafirmando no presente", afirma.

Manter uma iniciativa independente como essa, no entanto, exige enfrentar desafios. Ricardo conta que a ideia do Muzzi Project surgiu da percepção de que Vila Velha carecia de espaços voltados à cultura acessível e à produção independente. Produzir eventos de forma contínua, segundo ele, depende do envolvimento coletivo, da participação do público e dos artistas que acreditam na proposta.
"É cansativo trabalhar na noite, produzindo rolês ou eventos maiores, ainda mais com um valor acessível. Dependemos muito do consumo do público e dos artistas que somam com a gente nas ideias. A parte boa é que o público abraçou muito a ideia. Agradecemos cada pessoa que frequenta os espaços e faz uma contribuição para manter a chama acesa, além de todos os artistas que fortaleceram esse movimento com seu trabalho", conclui.
A programação completa, com horários das oficinas, apresentações e demais atividades, pode ser acompanhada pelos perfis oficiais do festival e dos coletivos realizadores no Instagram: @mangueesal, @casacultural155 e @muzziproject.
Serviço
Festival Mangue e Sal – 2ª edição
Quando: de 25 a 27 de junho (quinta-feira a sábado)
Onde: Casa Cultural 155 – Avenida Jerônimo Monteiro, 155, Centro de Vila Velha (ES)
Horário: das 18h às 23h
Entrada: gratuita