Nascido em Planaltina de Goiás, Brandon Lee de Oliveira Gomes (33) é o artista por trás de Lee Brandão, personagem drag que marcou presença em palcos e eventos culturais dentro e fora do Distrito Federal.
Por Igor Tx
Fotos: acervo do artista (capa), André Gagliardo
Considerada a primeira drag queen PCD vinda da capital federal, Lee teve a oportunidade de rodar o Brasil com suas performances e participar de diversos eventos ligados à cena da diversidade. Brandon vive com displasia cleidocraniana e encontrou nas artes, ainda na infância, uma forma de expressão e superação.
Seu primeiro contato com o universo artístico aconteceu na igreja, onde aprendeu a cantar, tocar instrumentos e dançar. Aos cinco anos de idade, já participava das atividades musicais da comunidade. Mais tarde, aos 18, sentiu vontade de explorar caminhos artísticos para além daquele ambiente.
Foi por convite de uma amiga que passou a enxergar a dança como uma porta de entrada para novos espaços culturais. Brandon começou então a integrar grupos de dança e participar de eventos, muitos deles ligados à cena LGBTQIAPN+. Foi nesse período que começou a ampliar seu contato com diferentes linguagens performáticas.

Seguindo esse caminho, não demorou para se aproximar da arte drag, uma linguagem performática que combina maquiagem, figurino e interpretação para criar personagens e narrativas no palco. A experiência abriu novas possibilidades criativas e trouxe outras formas de expressão artística.
“Através da dança eu conheci muitas artistas do segmento drag e do performismo aqui de Brasília, e aí decidi que queria experimentar também. A arte drag, a maquiagem… Eu queria entender e quebrar mais um padrão, mais um paradigma de uma pessoa com deficiência fazendo vários tipos de arte”.
Com o tempo, suas apresentações ultrapassaram os limites de Brasília e chegaram a importantes polos culturais como São Paulo e Rio de Janeiro. Durante o período em que viveu na capital paulista, Lee se apresentou em algumas das principais casas da cena drag da cidade, como a Blue Space e a Danger Dance Club. Também participou de apresentações na televisão e em eventos de grande porte, como o festival Universo Paralello, na Bahia.
Com uma trajetória consolidada, Lee retornou ao Distrito Federal trazendo um currículo singular. Na capital, atuou como apresentadora oficial da Parada PCD de Brasília e também passou pelos palcos da histórica boate Victoria Haus, espaço que ao longo dos anos se tornou um dos principais pontos de encontro da cena LGBTQIAPN+ da cidade.

No Distrito Federal, a cultura drag ganhou força especialmente a partir dos anos 2000, com casas noturnas, eventos e festivais que ajudaram a consolidar uma cena artística diversa e vibrante. Foi nesse ambiente que Lee Brandão encontrou espaço para desenvolver sua linguagem artística e dialogar com diferentes públicos.
Hoje, Brandon conta que suas atividades como performer ficaram no passado, mas que a arte continua sendo uma parte essencial de sua vida.
“A cultura hoje aproxima você dos seus sonhos. Ela serve para dar um caminho diferente, fugir de uma vida monótona e dar cor à vida. Talvez, se eu não tivesse tido essas experiências culturais, minha vida não teria sido tão divertida. O resultado que tenho como artista drag é uma somatória de tudo o que eu já fiz”.
Atualmente, Brandon segue atuando no campo da cultura como produtor. Em 2026, participou da última edição do Bloco das Montadas como integrante da Banda das Montadas, reafirmando sua conexão com a cena artística e com a celebração da diversidade.
Ao ocupar os palcos como artista drag e pessoa com deficiência, Lee Brandão também abriu caminhos pouco explorados na cena cultural do Distrito Federal, ampliando o debate sobre acessibilidade e presença artística nos espaços de cultura. Siga nas redes @leebrandao1.