[RJ] Sarau Plural abre espaço para artistas e novos públicos no Rio

[RJ] Sarau Plural abre espaço para artistas e novos públicos no Rio

Quando um cantor de rap chegou ao Centro Cultural Laurinda Santos Lobo para se apresentar no Sarau Plural, em Santa Teresa, ele não estava sozinho. Levou familiares e vizinhos, em sua maioria moradores do Morro de São Carlos. Para muitos deles, aquela era a primeira visita a um centro cultural. O grupo participou de oficinas de teatro e pintura, conheceu a exposição e acompanhou a programação

Por: Angélica Cabral
Foto: divulgação

Para a idealizadora do projeto, a jornalista, escritora e produtora Alessandra Pereira, a experiência traduz uma das principais razões de existir do Plural: fazer com que a arte também alcance quem nem sempre se sente pertencente aos espaços culturais da cidade.

“A arte é tão necessária quanto o alimento”, afirma Alessandra. Para ela, democratizar a cultura não significa apenas colocar artistas no palco, mas também criar caminhos para aproximar novos públicos. É esse princípio que norteia o Sarau Plural, realizado desde março, um domingo por mês, no Laurinda Santos Lobo, com programação gratuita e diferentes manifestações artísticas.

A ideia nasceu da experiência de Alessandra como empresária musical, quando acompanhou de perto as dificuldades enfrentadas por bandas e cantores autorais para encontrar espaços onde pudessem apresentar seus trabalhos. Ao produzir um sarau com uma dessas bandas, percebeu ainda mais claramente a dimensão dessa lacuna. Em janeiro deste ano, decidiu concentrar-se em projetos independentes e transformou aquela experiência em uma iniciativa mais ampla.

“Dar palco para quem não tem palco era só o começo”. A proposta passou a incluir, além da música e da poesia, teatro, dança, artes plásticas, fotografia, cinema, oficinas, debates e outras formas de expressão. Em sete edições, mais de 500 artistas já participaram do projeto.

A programação passeia por estilos musicais como rock, rap, jazz, samba, chorinho, música clássica, pop, MPB, charme, funk e reggae. Nas danças, já estiveram presentes street dance, dança cigana, dança do ventre tribal e dança da Polinésia. O teatro aparece em oficinas, esquetes e peças completas. Há ainda cineclube, debates, filosofia, astrologia, letramento racial, arte sustentável e atividades para crianças, como circo, contação de histórias e apresentações infantis.

A poesia também tem espaço garantido, com artistas convidados pelo curador Sergio Gramático e microfone aberto para quem quiser participar. Nas áreas externas, expositores comercializam seus trabalhos e o live painting permite acompanhar a criação das obras em tempo real. O circuito se completa com tatuadores, tarólogos e comidas artesanais.

A escolha do Laurinda Santos Lobo tem papel importante nessa proposta. Apesar de o casarão ter uma ampla área interna e externa, muitos moradores de Santa Teresa ainda não conheciam o espaço. A realização de um evento gratuito e com tantas atividades tornou-se uma maneira de aproximar a vizinhança e, ao mesmo tempo, criar pontes com outros territórios. Parcerias com iniciativas como o Articula Santa e a Fábrica de Talentos do Morro dos Prazeres fazem parte desse movimento.

O crescimento do projeto também levou à criação de novas frentes: o Plural Mambembe e a Vitrine Plural. O Plural Mambembe pretende levar grupos de artistas para praças, praias, escolas, comunidades e outros espaços, misturando artistas que já passaram pelo sarau a talentos locais. Já a Vitrine Plural nasce com o objetivo de aproximar bandas autorais do público, produtores e casas de shows. A proposta é reunir grupos, acompanhar a recepção da plateia e, posteriormente, realizar um festival com as bandas que mais despertarem interesse.

A trajetória de Alessandra Pereira ajuda a explicar a dimensão artística do projeto. Ela escreve poesias desde os 13 anos e teve, aos 14, seu primeiro trabalho remunerado, produzindo críticas de discos e shows. Jornalista formada pela FACHA, passou por redação cultural, produção e curadoria de teatro e artistas. Em julho, lançou Bagulho Doido, um livro de poesias e prosas. Na adolescência, recebeu de um amigo o apelido de “agente do caos”. Hoje, encara a expressão de outra maneira. “Só com o caos a gente acorda para a realidade, transforma e organiza a vida, o coração e a mente”.

É desse encontro entre caos, criatividade e liberdade que surge o conceito de “caos criativo mambembe” que batiza o projeto. Para a idealizadora, sair das estruturas rígidas permite encontros inesperados entre artistas e públicos. E o desejo é que quem passe pelo sarau saia dali não apenas tendo conhecido novas formas de arte, mas também com “uma fé poderosa em si mesmo”.

Vamos conhecer?

Para saber tudo o que rola nessa explosão de arte, acesse o perfil @sarauplural no Instagram!

SERVIÇO

Sarau Plural

Centro Cultural Laurinda Santos Lobo

Rua Monte Alegre, 306 – Santa Teresa

Um domingo por mês, das 10h às 18h

Entrada: gratuita