A edição 03 do Espírito Santo reúne entrevistas, reportagens e diferentes olhares sobre a cultura capixaba. A equipe responsável pela produção também compartilhou suas impressões sobre o trabalho.
Por: Gustavo Domingos
Foto de capa: Tatiana Pezzin
Capa e ilustrações: Tiago Palma
Projeto gráfico e diagramação: Chica Magalhães
Neste domingo (20/09), o público terá a oportunidade de conhecer em primeira mão a terceira edição da Revista Traços Espírito Santo, que será lançada durante o Centro de Portas Abertas, na sede do projeto, no Centro de Vitória. Logo de cara, o leitor encontrará a imagem emblemática de quem é o destaque desta edição, Roberto Menescal. De chapéu e com um olhar marcante, o cantor e compositor capixaba, um dos pilares da Bossa Nova, revisita sua trajetória nas páginas da revista.
O funk capixaba também ganha espaço com 2L de Vila Velha, JV de Vila Velha, Bero Costa, Belucio e Karolla DJ. Eles apresentam suas trajetórias e falam sobre uma cena que cresceu no Estado, enfrentou resistência em diferentes momentos e hoje já ultrapassa as fronteiras capixabas. São histórias de quem encontrou nas pistas um caminho, precisou criar seus próprios espaços e viu a internet ampliar as possibilidades para a música.
A fotografia aparece por outro caminho na reportagem sobre a Escola de Fotografias para Cegos. O projeto reúne pessoas que encontraram na imagem uma forma de criação e expressão e mostra experiências que passam por enquadramento, zoom, desfoque e outras possibilidades da linguagem fotográfica. A matéria acompanha esses fotógrafos e apresenta diferentes maneiras de olhar e produzir uma imagem.
Tem ainda Sandrera, que revisita 27 anos de carreira e fala da relação com Vila Velha; Taynara Barreto, que transforma em fotografia o cotidiano da comunidade onde vive, em Alegre; e Juliana Ludgero, que encontrou na pintura a óleo uma nova forma de desenvolver seu trabalho.
A Dom Eli aparece em uma história que começou na cozinha de casa e ganhou espaço próprio, enquanto poemas, contos e outras formas de escrita também passam pelas páginas da revista.
Como em todas as edições, a seção 3x4 conta a história de um Porta-Voz da Cultura. Desta vez, o destaque é Felipe Chagas, que encontrou nas brincadeiras com personagens e histórias uma forma de olhar para o mundo que também levou para a escrita. Aos 36 anos, ele apresenta sua trajetória na revista e aparece como o Porta-Voz escolhido para esta edição.
Custando R$ 10, a revista é comercializada pelos Porta-Vozes da Cultura, pessoas que vivem diferentes situações de vulnerabilidade e encontram nesse trabalho uma possibilidade de geração de renda e autonomia.
Dos R$ 10, R$ 7 ficam com o Porta-Voz, enquanto os outros R$ 3 retornam ao projeto para a compra de novos exemplares e a continuidade da revenda.
E quem fez, o que achou?
A equipe editorial responsável pela produção da terceira edição conta como foi participar da criação da revista e o que ficou dessa experiência.
Rafael Braz, editor-chefe
“A atual edição foi uma construção bem coletiva, como sempre é, na verdade. Normalmente eu chego com algumas ideias e discutimos na reunião de pauta. A ideia inicial da revista era diversidade, por isso vamos da Bossa Nova ao funk, passando pelo metal pesado. A tentativa é dialogar com várias gerações também, tentar mostrar a variedade da nossa produção cultural.”
Rodrigo Gavini, editor de fotografia
“Acredito que o leitor encontrará uma revista construída com muito carinho, mas também com muita diversidade de olhares e histórias. Esta terceira edição faz um amplo retrato da cena cultural capixaba, passando por diferentes linguagens e gerações. Temos artistas consagrados e pessoas que estão começando suas trajetórias, todos tratados com a mesma atenção e importância.”
Giulia Reis, repórter convidada
“A Revista Traços virou um xodó para mim porque me permitiu trabalhar de uma forma muito espontânea e livre. Ela tem uma pegada literária, que abre espaço para uma escrita mais rica em detalhes e para explorar não apenas as histórias, mas também os ambientes e tudo o que existe ao redor de cada personagem... Quero que o leitor consiga se sentir dentro daquele ambiente e experimentar um pouco do que vivi durante a apuração.”
Thamiris Guidoni, repórter
“Construir essa terceira edição da Traços foi, para mim, principalmente, um exercício de escuta. Foi muito além da escrita, sabe? Tive a oportunidade de conhecer pessoas, entrar em universos diferentes e contar histórias que, de alguma forma, também falam sobre quem somos enquanto capixabas... Acho que é isso que mais me encanta no jornalismo: a possibilidade de conhecer mundos que talvez eu nunca encontrasse de outra forma e, depois, conseguir levar um pouco deles para outras pessoas.”
Flávio Carvalho, repórter
“Encontrar com Menescal foi a realização de um sonho. Já tinha conversado com ele por telefone e a conversa foi ótima. Foi justamente por conta de sua generosidade, simpatia e conhecimento que passei a ter o desejo de fazer uma entrevista também presencial e a Traços me possibilitou isso. Foi um encontro mágico, fiquei impressionado com a precisão de datas fornecidas, sua lucidez e seu empenho em formar uma nova geração de bons artistas.”
Tatiana Pezzin, fotógrafa
“Tive a honra de fotografar o Menescal para a capa da revista e isso foi um presentão para mim, porque além de ser fã, eu estive diante de um artista que foi um dos grandes nomes e pioneiros da bossa nova. Fiquei muito feliz por poder colocar meu olhar em uma imagem que representa uma edição tão diversa e especial... Eu tento não chegar com uma fotografia pronta na cabeça, mesmo que eu me identifique muito com o que eu vou fotografar.”
Melina Furlan, fotógrafa convidada
“Acho que o funk foi o que mais me marcou. Eu gostei muito de fazer e, pela primeira vez, tomei a liberdade de deixar a foto com um aspecto mais danificado, propositalmente, com bastante ruído. Também tirei as fotos à noite, porque são DJs que tocam à noite, que trabalham em baladas, shows e outros eventos. Eu queria trazer essa atmosfera um pouco mais moderna, com uma edição que fosse, ao mesmo tempo, vintage e contemporânea, meio VHS. Foi isso que eu quis passar, pelo menos: uma edição um pouco diferente do que fiz nas outras edições."
Serviço
1ª Ocupação Fotográfica Traços ES - Lançamento da 3ª edição da Revista Traços
Quando: domingo (20/09), a partir das 10h; bate-papo com os fotógrafos, às 15h
Onde: sede da Revista Traços, Rua Nestor Gomes, 285, Centro, Vitória (ES)
Quanto: gratuito
Classificação: livre