Premiada em concurso da Levi’s pela faixa “Mais Um”, a banda formada por Felipe Desaparecendo e Vitor Zorzal volta a se apresentar em Vitória pela primeira vez desde 2008, durante os últimos meses de funcionamento da Casa Caipora
Por Gustavo Domingos
Foto: Júlia Aguiar
Depois de quase duas décadas sem se apresentar juntos, Felipe Desaparecendo e Vitor Zorzal voltam a tocar como ONZE nesta terça-feira (18), em Vitória. A apresentação gratuita acontece às 20h, na Casa Caipora, e reúne músicas produzidas durante os dois anos de atividade da banda.
Formado por Felipe Desaparecendo, ex-Tiro Williams e Froid, e Vitor Zorzal, ex-DeadFish e Auria, o ONZE circulou por festivais no Sudeste, passou pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e por Vila Velha e recebeu um prêmio nacional da Levi’s pela faixa “Mais Um”. Parte das músicas produzidas naquele período circulou em CDs e arquivos de MP3, mas nunca chegou a ser lançada oficialmente. Atualmente, um EP do ONZE está disponível no Bandcamp.
A sonoridade da banda combina duas vozes e duas guitarras, com referências que passam por Elliott Smith e Bright Eyes, além de nomes como Boca Livre, Som Imaginário, João Gilberto e Os Cariocas.
O show acontece na Casa Caipora, espaço cultural que, ao longo de sua trajetória, recebeu artistas e movimentos da cena independente do Espírito Santo. Em comunicado recente, a casa anunciou o encerramento das atividades do espaço físico após enfrentar dificuldades para manter o funcionamento. A programação segue durante esse período final.
No comunicado, a Caipora informou que tentou diferentes formas de manter o espaço aberto antes de tomar a decisão. A agenda continua aberta até o encerramento. Veja o comunicado da Casa Caipora na íntegra.
Para Felipe, a apresentação do ONZE também é uma forma de celebrar a casa durante esse período. Ele lembra que, quando morava em Vitória, 20 anos atrás, havia mais espaços voltados à música autoral e vê a Caipora como um dos poucos lugares que ainda mantêm esse tipo de programação na cidade.
Em entrevista à Traços, Felipe Desaparecendo fala sobre o retorno do ONZE, o reencontro com as músicas escritas quando tinha por volta dos 20 anos, as amizades que surgiram daquele período e a relação da banda com a Casa Caipora.
Leia abaixo a entrevista completa com Felipe Desaparecendo.
O ONZE volta a tocar junto pela primeira vez desde 2008. Como surgiu a ideia desse reencontro e o que fez vocês decidirem retomar essas músicas agora?
A ideia de fazer o show surgiu de forma espontânea. Nos últimos dois anos, tenho vindo muito para Vitória e estava diminuindo esse ritmo, depois de um período em que vinha quase todo mês. Achei que seria uma oportunidade de fazer alguma coisa antes de encerrar esse período em que estive vindo tanto para cá. Também vi que a Casa Caipora estava fechando. É um lugar que acho muito bacana, diferente. Quando eu morava aqui, 20 anos atrás, Vitória tinha espaço para um monte de bandas de música autoral, e esses lugares diminuíram. Acho que a Casa Caipora é um dos poucos espaços que ainda têm uma programação intensa de música autoral.
Depois de tantos anos, o que mudou na forma como vocês escutam e enxergam as músicas do ONZE? Voltar a tocá-las hoje desperta alguma sensação ou lembrança diferente daquela época?
Boa parte das músicas do ONZE eu fiz quando tinha 20 e poucos anos. Algumas letras eu até mudei porque começaram a me dar um pouco de vergonha alheia. Ao mesmo tempo, tem outras em que consigo perceber coisas que estavam ali sem que eu tivesse consciência na época. Isso é muito maluco. A última vez que toquei essas músicas foi em 2008 e agora temos a oportunidade de rever o que fizemos, rearranjar algumas coisas e, ao mesmo tempo, valorizar aquilo que continua sendo representativo daquele período da nossa vida.
O ONZE teve uma trajetória curta, mas passou por festivais, pela UFES e por Vila Velha e chegou a ser premiado pela Levi’s com “Mais Um”. Quando vocês olham para aquela fase hoje, o que ela representa na história da banda?
A coisa mais bacana do ONZE, e da música de maneira geral na minha vida, é que foi como conheci a maioria dos meus amigos. Eu e o Zorzal nos aproximamos porque começamos a tocar juntos, e isso teve um papel importante. Quando lembro daquele período, penso em um monte de gente que conheci e que continua sendo minha amiga até hoje. Várias bandas em que toquei depois também surgiram dessas conexões. O ONZE foi uma maneira de conhecer pessoas e trocar com gente de diferentes lugares do Brasil.
A Casa Caipora está vivendo seus últimos meses de funcionamento e foi, ao longo desse período, ponto de encontro de artistas e movimentos da cena independente do Espírito Santo. O que representa para vocês fazer esse reencontro do ONZE nesse espaço?
É um lugar que acho muito bacana e é triste que esteja acabando. Acho que vale a pena celebrar esse espaço o máximo possível durante essa fase final, até para que isso sirva de exemplo e inspire outras iniciativas semelhantes em Vitória. É um lugar muito bacana e que deveria servir de inspiração para quem está por aqui.
Depois desse show, existe vontade de continuar o ONZE de alguma forma, recuperar outras músicas que nunca foram lançadas ou este reencontro fica marcado apenas por essa apresentação?
Não sei se enxergo muito um futuro para o ONZE. Acho que foi algo muito restrito àquele período. Existem várias músicas que eram da banda e que levei para outros projetos, e elas ganharam outra cara. Talvez algumas dessas músicas apareçam em outras coisas daqui para frente. E, se eu tiver outra oportunidade de tocar com o Zorzal e com outras pessoas que já fizeram parte da banda, eu vou adorar. A gente sempre se divertiu muito quando se juntou.
Serviço
Banda ONZE - Um Mais Um
Quando: terça-feira, 18 de agosto
Onde: Casa Caipora, Rua Nestor Gomes, 168, Centro, Vitória
Quanto: gratuito
Horário: 20h
Mais informações: @caipora.cc