Iniciativa realizada com recursos do FAC-DF aposta na formação artística e na criação coletiva para fortalecer novos nomes do rap brasiliense
Por Igor TX
Crédito: Natalia Dominici Jangola/Divulgação
Rimas autorais, ansiedade antes de subir ao palco e diferentes vivências atravessadas pelo rap marcaram a seletiva do projeto Turma do Flow – Vol. 1, realizada no Jovem de Expressão, na Ceilândia. Ao todo, 53 artistas do Distrito Federal e Entorno se inscreveram para a primeira edição da iniciativa, que selecionou 15 MC’s para uma formação intensiva voltada ao mercado da música.
À primeira vista, este parece ser mais um projeto que busca reunir novos talentos. Mas aqui, o objetivo é aproximar artistas periféricos de experiências ainda pouco acessíveis para grande parte da cena independente, como mentorias, gravação profissional e vivência em estúdio.
Realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), o projeto é voltado para MC’s de 16 a 29 anos em contexto de vulnerabilidade social. Durante o processo seletivo, 36 artistas participaram de audições presenciais avaliadas pelos jurados Dr. Zumba, Isa Marques, Fugazzi e Afroragga, nomes atuantes da cena hip-hop do DF.

Integrante do coletivo MOVNI, Doctor Zumba transita entre o rap experimental, produção musical e formação de novos artistas, acumulando trabalhos como rapper, beatmaker e educador musical. Já Isa Marques vem ganhando espaço na cena brasiliense ao misturar referências de hip-hop, R&B, funk e afrobeats em seus trabalhos. Idealizador do projeto, AfroRagga FlowMan atua há mais de duas décadas no rap do Distrito Federal, com trajetória ligada à formação de MC’s e ao fortalecimento de artistas independentes por meio da Escola do Flow.
Para Afroragga, a proposta nasce também de uma inquietação sobre a forma como o rap ainda é enxergado.
“Precisamos olhar para o rap não só como um estilo musical, mas como uma linguagem artística que também exige estudo, troca e desenvolvimento. Sempre tive vontade de criar um projeto que oferecesse esse cuidado para artistas que, muitas vezes, têm potência, mas não conseguem acessar estrutura”, afirmou em entrevista ao Portal Traços.
Apesar da força histórica do hip-hop no DF, muitos artistas independentes ainda encontram dificuldade para acessar equipamentos profissionais, distribuição musical e processos de formação continuada. O projeto aposta justamente nesse encontro entre criação artística e capacitação técnica.
Os artistas selecionados para esta edição foram Sunny, Raika, Pierrot, Elka, La Loba, Preta B, Dandara, Alekin, Obsidiam, Malkiel, Odayo, Mano Cutt, Croma, BigK e Guilherme Azevedo.
Ao longo da formação, os participantes passarão por uma imersão de 24 horas divididas em seis oficinas com o tema “Dominando o Rap”. O percurso inclui conteúdos ligados à composição, performance e construção de carreira, além de mentorias com nomes da cena brasiliense.
O processo termina na criação do álbum Turma do Flow – Vol. 1, compilado com dez faixas inéditas produzidas coletivamente pelos participantes. As músicas serão gravadas em estúdio profissional e lançadas nas plataformas digitais.
“O álbum surge como um registro desse encontro entre artistas com trajetórias e referências diferentes. A seletiva mostrou uma cena muito potente e deixou evidente que ainda existem muitos nomes que merecem espaço. A ideia é que o projeto continue crescendo e alcance mais pessoas nas próximas edições”, comentou Afroragga.

Além da formação artística, o projeto também prevê ações de acessibilidade, com intérpretes de Libras e legendas durante as atividades.
Para Julio Mafra, produtor executivo e elaborador do projeto, a expectativa é que a iniciativa gere impacto para além das oficinas.
“A seletiva mostrou artistas muito preparados e com vontade de construir coletivamente. Acredito que o projeto fortalece não só quem participa diretamente, mas também a cena do hip-hop do DF como um todo”, afirmou.
Para acompanhar as novidades do projeto, siga o perfil @escoladoflow no Instagram.