A cena audiovisual do Distrito Federal marcou presença no Music Video Festival (m-v-f) 2025, cuja cerimônia foi apresentada na última quarta-feira (25/3).
Por Igor TX
Fotos: divulgação
Criado em 2013 por Lia de Figueiredo Vissotto, diretora da Cinnamon, o festival se consolidou como um dos principais espaços de reconhecimento e valorização do videoclipe no Brasil. Neste ano, a participação de profissionais de Brasília foi expressiva: da concorrência ao júri e à apresentação do evento, os nomes candangos reforçaram a potência criativa da capital no cenário audiovisual.
Segundo Lia, o m-v-f nasceu do desejo de “criar um lugar de relevância e resistência para a comunidade criativa relacionada ao videoclipe”. Hoje, com 25 categorias, a premiação se tornou também uma vitrine estratégica para novos talentos e referências da indústria.
Entre os destaques do Distrito Federal, o cineasta Helder Fruteira, natural do Gama Leste e formado em Cinema pelo IESB, integrou o júri da edição. No ano passado, ele foi vencedor nas categorias de Melhor Videoclipe Nacional (Escolha do Júri) e Melhor Fotografia Nacional (Escolha do Júri), com o clipe “Esperança”, do rapper Criolo em parceria com Amaro Freitas e Dino D’Santiago.

“Esse momento foi único para mim e para toda a minha equipe. Trabalho com videoclipes há mais de 10 anos, e meus primeiros projetos nasceram nas ruas do Distrito Federal, ao lado de artistas independentes. Ver esse ciclo de criação ser coroado com um projeto tão potente e significativo foi, sem dúvida, uma das experiências mais especiais da minha caminhada”, relembra Helder.
Agora, como jurado e novamente representando sua cidade, ele destaca outro ponto importante: a presença crescente de criativos do DF na premiação.
A cerimônia foi apresentada, mais uma vez, pela cineasta brasiliense Aisha Mbikila, que desde 2020 marca presença representando a capital no festival.
Entre os indicados brasilienses, a diretora Fernanda Fiuza foi quem levou o prêmio na categoria Potência Criativa, com o clipe “Freak”, de Getúlio Abelha.
A conquista reforça a força da produção do Distrito Federal no cenário nacional e abre caminho para uma nova geração de realizadores.
Além da vitória, outros nomes do DF também se destacaram entre os finalistas do festival.
Entre eles, Brina Reis, indicada a Melhor Videoclipe em Parceria com YouTube, pelo clipe “Nossa Chance”, de Duda Beat e Tz da Coronel, que também contou com edição de Arthur Menezes, outro profissional da cidade.
Também figurou entre os indicados Gabriel Pinheiro (gabmeta), na categoria Projeto Especial, com o filme do álbum Convicto, do rapper Sant.
Outro destaque foi o videoálbum 3 Atos de Irmandade: a Música, o Crime e a Justiça, de Iradoh (Hodari), indicado na categoria Narrativa, com roteiro de Kaique Alves e Insana Duo.
Para Helder Fruteira, no entanto, o reconhecimento vai além dos troféus: “O Distrito Federal sempre foi um campo fértil de talentos, mas é especial e inspirador ver tantas pessoas criativas ocupando diferentes funções dentro do audiovisual e conquistando espaços. E mais do que isso, sendo reconhecidas por seu trabalho.”
Lia de Figueiredo também destaca a diversidade regional como uma das forças do festival. Embora reconheça o destaque do Centro-Oeste, ela reforça que o cenário audiovisual brasileiro tem se expandido para além do eixo Rio-São Paulo.
“Acho que fazemos todos parte de um país maravilhoso, de gente que não se contenta com delimitações geográficas e que carrega um universo de territórios criativos em suas produções, tornando o ‘made in Brazil’, seja lá de onde for, algo único e notável. Fico feliz de poder contribuir, ainda que um pouco, com esse transbordamento artístico”, afirma.