Sol em áries: motivos para aproveitar essa semana

Sol em áries: motivos para aproveitar essa semana

Tem gente que jura que o ano só começa depois do Carnaval. Outros sentem, mesmo sem saber explicar, que existe um segundo início ali no fim de março. Não é superstição: é a entrada do Sol em Áries, signo que marca o início do ciclo astrológico. O que significa na prática? É uma energia de arranque, de movimento. Coragem de começar ou recomeçar. E o Rio acompanha esse pulso de intensidade, apresentando uma agenda cultural que convida a sair de casa, experimentar algo novo, ocupar a cidade de outro jeito.

Por Angélica Cabral
Foto: Davi Costa

No sábado, 28, a Cidade das Artes concentra parte dessa energia. O espaço recebe o espetáculo “Bravo Tenores in Concert”, que mergulha no repertório clássico italiano, enquanto, no mesmo fim de semana, o palco também abre espaço para “Bee Gees Alive”, um tributo que atualiza o legado disco com fôlego contemporâneo. É o tipo de programação que equilibra grandiosidade e acesso, sem perder o clima de retomada.

Ainda no sábado, o Vivo Rio recebe Oswaldo Montenegro, num show que atravessa gerações e reafirma uma lógica simples: há começos que passam pela memória. Voltar a certas músicas também é uma forma de seguir em frente.

Mas é nos espaços menores que Áries se manifesta com mais clareza. Casas como o Manouche e o Audio Rebel mantêm, ao longo desses dias, uma programação voltada para encontros mais próximos: shows de jazz, MPB e experimentações sonoras que acontecem quase sem mediação, na troca direta entre artista e público. São ambientes em que o novo aparece sem anúncio, e talvez por isso mesmo faça mais sentido.

Nas artes cênicas, a cidade também se reorganiza nesse intervalo. Em cartaz no Teatro Vannucci, na Gávea, “A.M.I.G.A.S.” ocupa as noites com humor e relações contemporâneas, enquanto o Teatro Ruth de Souza, em Santa Teresa, recebe “Coisa de Pele”, espetáculo que atravessa identidade e cultura negra com mais densidade. Já o Teatro Ziembinski, na Tijuca, segue com sua programação voltada à cena independente, abrindo espaço para linguagens mais experimentais.

Fora do palco, o convite é outro: desacelerar o olhar. No Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, a exposição “100 anos de arte: Gilberto Chateaubriand” atravessa décadas da produção brasileira, enquanto o Museu de Arte do Rio mantém “Nossa Vida Bantu”, conectando passado e presente a partir de matrizes africanas. Já o Solar dos Abacaxis propõe, com “Irradiar: para construir instituições da gente”, uma reflexão sobre coletividade e criação contemporânea, pedindo menos contemplação e mais construção.

E, como sempre, há o que escapa da programação oficial. Entre 31 de março e 2 de abril, a capital carioca segue ocupada por rodas de samba, encontros espontâneos e feiras que mantêm o Rio em estado de permanência. A Pedra do Sal continua sendo ponto de convergência, a Feira de Antiguidades da Praça XV organiza o domingo com outra cadência, e a Feira Hippie de Ipanema reafirma que tradição também é movimento.

No fim, o “Ano Novo em Áries” não pede promessas mirabolantes. Ele pede gesto... Um passo... Um deslocamento mínimo... Ir a um show que você não conhece... Entrar numa peça sem saber muito... Aceitar um convite... Ou simplesmente sair de casa numa quinta-feira qualquer... Assim como as “Aguas de Março fechando o verão”, a Cidade Maravilhosa, nessa época, fica menos óbvia e, justamente por isso, mais interessante.