[ES] Centro de Portas Abertas reúne espaços de cultura, gastronomia e economia criativa neste domingo (20/09)

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Projeto convida o público a circular pelo Centro de Vitória, conhecer diferentes locais e montar sua própria rota com o auxílio de um mapa gratuito, disponível durante a programação, que acontece das 10h às 18h.

Por Gustavo Domingos

Foto: divulgação 

Que tal passar o domingo (20/09) circulando pelo Centro de Vitória com um mapa em mãos e escolhendo quais lugares visitar? Das 10h às 18h, o Centro de Portas Abertas reúne espaços culturais, gastronômicos e ligados à economia criativa que estarão com programação especial durante a ação.

A iniciativa acontece em diferentes pontos da região e permite que o público organize o próprio percurso a partir dos locais que quiser conhecer.

Segundo os organizadores, a proposta é estimular a circulação pelo Centro e aproximar o público de espaços que já fazem parte do cotidiano do território. Com o mapa, que já está disponível, os visitantes poderão consultar os participantes e definir os caminhos que pretendem percorrer ao longo do domingo.

Para Yuri Paris, tradutor e produtor do Centro de Portas Abertas no Distrito Criativo de Vitória, a iniciativa representa a chegada à prática de um movimento que já vem sendo pensado há anos. “Tirar as ideias do papel e colocar elas na prática”, resume.

A programação reúne diferentes tipos de estabelecimentos e espaços, com atividades preparadas individualmente para a data. Entre eles estão locais de cultura, sebos, lojas de discos, artesanato e gastronomia, além de outros empreendimentos ligados à economia criativa.

A Revista Traços, que mantém sua sede no Centro de Vitória, também participa da ação com uma Ocupação Fotográfica e um bate-papo com fotógrafos a partir das imagens publicadas nas 3 edições da revista no ES. A ação marca o lançamento da edição número 3.

O mapa reúne os locais participantes e pode ser consultado para ajudar na escolha dos caminhos. No Instagram @distritocriativovix, a organização também divulga as atualizações e a programação de cada espaço.

Segundo os produtores, a expectativa é que a experiência do dia 20 também incentive novas circulações pelo território depois do evento.

Abaixo, leia a entrevista com Yuri Paris, tradutor e produtor do Centro de Portas Abertas no Distrito Criativo de Vitória, sobre a criação do evento, a articulação entre os espaços e os planos para manter essa circulação pelo Centro. Veja as respostas na íntegra.

Como surgiu a ideia do Centro de Portas Abertas? E o que fez vocês pensarem em reunir tantos espaços do Centro em um mesmo dia?

“Para além do movimento, que já completou uma década, o Portas Abertas vem como uma forma de nos afirmar para além do planejamento, chegando à prática, visibilizando e promovendo a circulação entre os espaços que estão aí no cotidiano do Centro e juntando todo mundo neste dia 20. Então, vem como uma forma de tirar as ideias do papel e colocar elas na prática. Eu acho que isso resume bem.

São mais de 30 empreendimentos participando. Como foi juntar esses lugares e organizar uma programação em que cada um pudesse apresentar um pouco do que faz?

“Mais de 30 empreendimentos é até pouco, né? Na prática, temos mais de 100 espaços que estão diretamente ligados a essa lógica da promoção da economia criativa. Mas, para uma primeira edição, a gente escolheu trabalhar só com esse recorte dos espaços que colocam programação, que a gente está chamando de espaços de fruição cultural, que são esses quase 40. Mas é isso. Está sendo um pequeno desafio trazer todo mundo junto na mesma narrativa. Sabemos que são pessoas e empreendimentos muito diferentes, mas a gente tem o território como um eixo comum. Então, foi um desafio, mas, ao mesmo tempo, foi uma experiência muito grata pelo território que a gente está, pela construção da narrativa do Distrito Criativo já há 10 anos, pela própria articulação que nós três, Israel, Nina e eu, temos com a comunidade, com os empreendedores. Então, foi um grato desafio, mas a gente sabe que é só um primeiro passo.

A ideia é que cada pessoa possa montar sua própria rota pelo Centro. O que vocês gostariam que o público descobrisse ao circular por esses espaços no dia 20?

“Eu acho que essa é uma pergunta meio capciosa, até porque a gente tem trabalhado com esse arquétipo do explorador, que é essa faceta humana que se realiza na própria jornada. Então, a ideia é provocar mesmo quem já conhece pouco do Centro a conhecer mais. Então, qual é a descoberta que as pessoas vão fazer? Realmente é aquela coisa de cada um escreve a sua história. Eu não tenho a menor ideia do que cada um vai fazer. Óbvio que cortejo de banda de Congo não é todo dia. Diversos espaços vão estar abertos especialmente para a ocasião, nesse formato de ‘vem, entra aqui, me conhecer’. É samba para todo lado, música, comida, lojas criativas. Desses espaços que colocam programação cultural, e vários sebos, lojas de discos e lojas de artesanato que não são exatamente protagonistas, não são espaços que colocam programação, vão aproveitar também esse momento para abrir suas portas e se mostrar para o público.”

O mapa vai estar disponível no dia do evento e também depois. Por que vocês quiseram que ele continuasse sendo usado mesmo após o Portas Abertas?

“A ideia do movimento é que ele continue. O movimento do dia 20 é um movimento atípico. Se você chegar qualquer dia no Centro, não vai ser um movimento de todo mundo aberto. Cada um tem o seu ritmo, cada um tem seu público, cada um tem, enfim, suas formas de manter a cultura viva no bairro. Mas vai muito além do dia 20. A gente consegue viver isso hoje, a gente consegue viver isso no dia 21, a gente consegue viver isso em 2027. Então, o maior desafio é a continuidade, a perenidade do movimento. E aguardem surpresas. Temos ideias, temos sonhos para 2027. E vai acompanhando a gente. O importante é que o público continue acompanhando a gente, porque realmente é o primeiro passo para fora das salas de planejamento que o movimento do Distrito Criativo está dando.

O Distrito Criativo acompanha de perto a movimentação cultural do Centro desde 2016. Como vocês enxergam esse território hoje e o que esperam que o Portas Abertas possa movimentar por lá daqui para frente?

“Desde 2016, a gente vive um grande momento de planejamento, que culmina, ponhamos assim, numa agenda de futuro financiada pela rede do S Mais Criativo, promovida, enfim, cada instituição à sua própria forma, e essa devolutiva para nós. O que vocês vão fazer agora, empreendedores, já que a gente, lá em 2015 e 2016, provocou a formalização, por meio de decreto, do distrito? Então, o grande desafio é passar de um evento não cotidiano, que gera uma movimentação, eu vou pôr assim, artificial, na medida em que o próprio turismo trabalha com uma artificialidade do cotidiano, uma plasticidade do cotidiano, para que isso se torne um movimento que faça a circulação do bairro ser perene, que as pessoas conheçam e consigam viver o bairro da forma como ele já se apresenta no cotidiano. Então, acho que o grande desafio é trazer de uma coisa pontual para uma circulação contínua e que aí considere, óbvio, não só os espaços de fruição, mas também as lojas criativas, que não necessariamente colocam programação, os espaços gastronômicos, que não necessariamente colocam programação, mas que têm seu valor e têm seu lugar na paisagem, no mosaico que a gente vê aqui no Centro. E, óbvio, a gente está falando aqui de espaços, espaços, espaços, mas talvez o maior desafio do Distrito Criativo seja engajar os empreendedores, que não necessariamente têm espaço aberto, mas que vivem, apostam e investem no território. Os sonhos que aqui circulam e que, no fim das contas, são as histórias que a gente conta, são as narrativas que moldam o que a gente vê. Então, para 2027, vamos esperar espaços, empreendedores, sonhos, rua. Meu sonho particular é que a gente consiga, de fato, representar essa diversidade que o território oferece. Espero que a gente, enquanto comissão executiva do evento, mas para além, como uma chamada para todos os colegas, todos os amigos, todos os vizinhos, consiga construir junto o futuro comum, esse futuro comum que a gente quer ver aqui no território.”


Serviço - Centro de Portas Abertas

Quando: domingo (20/09), das 10h às 18h

Onde: Centro de Vitória

Quanto: gratuito

Como participar: o público poderá consultar o mapa com os espaços participantes e montar a própria rota pelo Centro.

Programação: cada espaço participante terá atividades e atrações próprias ao longo do dia.

Mais informações: Instagram @distritocriativovix