Um domingo de resistência e celebração na capital federal
Por: Clara Montenegro
A 26ª Parada do Orgulho LGBT+ acontece neste domingo (6/7) na Esplanada dos Ministérios, consolidando Brasília como um dos principais palcos da luta por direitos LGBTQIA+ no país. Com concentração em frente ao Congresso Nacional a partir das 14h, o evento promete reunir milhares de pessoas em uma manifestação que vai muito além da festa: é um ato político de visibilidade e resistência.
Juventude LGBT Periférica: o tema que conecta luta e território
Neste ano, o tema escolhido para a manifestação é "Juventude LGBT Periférica", uma escolha que reflete a necessidade de amplificar vozes historicamente marginalizadas dentro da própria comunidade LGBTQIA+. A temática evidencia como questões de classe, raça e território se interseccionam com as vivências de pessoas LGBT+, especialmente entre os jovens das periferias urbanas.
"Em mais um ano na Parada, vamos reunir milhares de pessoas para celebrar nossas diversas existências e reforçar a nossa luta pelos direitos da comunidade LGBTQIA+", afirma Ruth Venceremos, uma das diretoras do coletivo Distrito Drag e capa da Traços edição DF54. A declaração resume o espírito do evento: celebração e luta caminham juntas na construção de uma sociedade mais inclusiva.
Programação musical: diversidade em três trios elétricos
A festa se organiza em três trios elétricos, cada um com uma proposta artística distinta, garantindo representatividade e diversidade musical ao longo do trajeto pela Esplanada dos Ministérios.
MC Carol e Grag Queen/divulgação
Trio Orgulho Taguá
O primeiro trio recebe as icônicas Irmãs de Pau, dupla que recentemente lançou o disco "Gambiarra Chic Part 2" com participações imperdíveis de artistas como Duquesa e Ebony. O trio conta ainda com os DJs Fábio Ferreira e Túlio Bueno, prometendo uma trilha sonora que mescla pop, funk e música eletrônica.
Trio da Piki
Comandado pela diva MC Naninha, este trio traz diversas performances drag e DJs locais, valorizando a cena artística brasiliense e oferecendo um espaço para talentos da capital federal brilharem ao lado de nomes consolidados.
Trio do Distrito Drag
Para fechar com chave de ouro, o trio do coletivo organizador recebe MC Carol, rapper carioca que foi capa da Traços na edição RJ12 e é conhecida por suas letras politizadas e pela defesa dos direitos das mulheres e da população LGBTQIA+, e Grag Queen, drag queen que conquistou o país com sua arte e ativismo. A combinação promete performances marcantes e mensagens potentes.
A programação detalhada com horários específicos de cada apresentação será divulgada no dia do evento, permitindo que o público se organize para acompanhar suas atrações favoritas.
Brasília no cenário nacional: tradição e resistência
A Parada de Brasília ocupa posição de destaque no calendário nacional de eventos LGBT+. Atrás somente das paradas de São Paulo e Rio de Janeiro, a manifestação da capital federal é considerada a terceira mais antiga do Brasil. Criada em 1998, a mobilização cresceu consistentemente ao longo dos anos e, em 2018, evoluiu para um formato de festival, expandindo suas atividades e marcando a cidade com cor, diversidade e muita festa.
O Dia Internacional do Orgulho LGBT, celebrado em 28 de junho, marca a data dos protestos de Stonewall, em Nova York, em 1969, considerados o marco inicial do movimento moderno pelos direitos LGBT+. Para comemorar a data este ano, a Esplanada dos Ministérios ganhou 110 bandeiras arco-íris no sábado (28/06), em uma iniciativa do coletivo LGBT Brasília Orgulho, que também organiza o festival e a parada na capital.
A ação simbólica de ocupar o centro do poder político brasileiro com as cores do orgulho LGBT+ reforça o caráter político da manifestação e a importância de manter a visibilidade da comunidade nos espaços públicos e institucionais.
Em um contexto nacional marcado por ataques aos direitos humanos e tentativas de retrocesso em conquistas da população LGBTQIA+, eventos como a Parada do Orgulho LGBT+ de Brasília ganham ainda mais relevância. Eles funcionam como espaços de resistência, articulação política e fortalecimento de redes de apoio e solidariedade.
A escolha do tema "Juventude LGBT Periférica" dialoga diretamente com essa realidade, reconhecendo que a luta por direitos deve contemplar as múltiplas vulnerabilidades enfrentadas por diferentes segmentos da comunidade, especialmente aqueles que vivenciam intersecções de opressões.
SERVIÇO
Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Brasília
Quando: Domingo, 6 de julho, a partir das 14h
Concentração: Em frente ao Congresso Nacional
Trajeto: Esplanada dos Ministérios
Classificação: Livre
Organização: Coletivo LGBT Brasília Orgulho
Mais informações:
Instagram: @brasiliaorgulho